Tem fundamento certo adágio que diz: se numa sala em que há dez pessoas, entra um fascista e ninguém se retira em protesto, essa sala passa a ter onze fascistas. Fazendo eco a esse pensamento, esclareço:

1) Como todo ser humano-histórico eu faço parte da humanidade. Isto é, para existir como humano-histórico, eu dependo da humanidade inteira. Poucos têm consciência disso, mas eu, felizmente, tenho e sei que, se a humanidade é ofendida, eu pessoalmente o sou.

2) Numa democracia, um dos direitos (públicos) mais importantes do cidadão é o direito à integridade e à não agressão por outros, sejam estes quais forem.

3) Se a humanidade é agredida, eu sou agredido.

4) Os machistas, os racistas, os homofóbicos, os fascistas e, entre eles, o Sr. Bolsonaro, que é (e admite explicitamente) tudo isso ao mesmo tempo, são ameaças aos princípios e valores democráticos e à própria humanidade, no seu todo ou em suas partes.

5) Por isso, são ameaças a minha própria pessoa. Não podem ser toleradas. Foi porque o mundo não tolerou Hitler que nós estamos aqui, com alguma esperança, ainda, de uma sociedade melhor.

6) Por isso, se alguém, seja por ignorância (porque não teve condições, ou vontade, de conhecer quem apoia), seja por canalhice (porque concorda com seus ideais) apoia um ser abjeto como esse que vive a pregar a violência, o desrespeito e a destruição da esperança democrática, esse alguém não é meu amigo, porque, ao fim e ao cabo, independentemente de minha vontade, ele já está contra mim. Não se trata sequer de odiá-lo, mas de ter presente o perigo que ele representa para mim e para a sociedade.

7) Ao esclarecer isso, procuro apenas ser verdadeiro, para que as pessoas não se enganem com relação a minha postura política.

Vitor Paro, 18/02/2020

Se notar alguma ideia ou tema que você considere mal abordado ou que exija maior explicação,
me comunique, por favor. Terei prazer em considerar sua observação.

Comentários

  • Luci
    Luci
    Responder

    Parabéns por colocar neste texto muito do que penso

  • Adriana Watanabe
    Adriana Watanabe
    Responder

    Eu gostaria muito de não ter que conviver com facistas, mas infelizmente ou felizmente, a profissão de educadora que foi uma escolha, tem me obrigado a encontrar meios e caminhos, muitas vezes pedregosos para conversar com essas pessoas, com visões e posicionamentos opostos a democracia. Viver é hoje estar na eminência da guerra! E na constante luta!

    • Vitor Henrique Paro
      Vitor Henrique Paro
      Responder

      O que os acontecimentos recentes (como a pandemia de Covid 19 e a ocupação da Presidência da República por um fascista) têm nos mostrado é que, infelizmente, a quantidade de pessoas más, sem nenhum respeito pelo outro, é assustadoramente maior do que imaginávamos. Por isso, concordo com você que os caminhos são pedregosos, mas temos que trilhá-los, sem perder nossa dignidade, mas com a consciência do tipo de interlocutores com que temos de lidar. Um forte abraço, Adriana.

  • Márcia de F Martinez
    Márcia de F Martinez
    Responder

    Posso publicar nos grupos de whastsapp? Precisamos assumir nossa postura antibolsonarista com nossos conhecidos.

    • Vitor Henrique Paro
      Vitor Henrique Paro
      Responder

      Claro que pode, Márcia. Pode compartilhar à vontade. Um abraço.

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